Sobre a Balada
Balada Literária
de 19 a 22 de outubro de 2006Escritores e músicos. Fotógrafos e atores. Cantores e ilustradores. Espectadores e leitores, enfim. Todos dentro de uma mesma balada. Aqui, na Vila Madalena. Lá, na Praça Roosevelt. Fazia tempo que eu pensava numa festa assim. Numa rodada animada de papo e cerveja. Eta danado! Coisa que já acontece, mas que a gente agora vai fazer acontecer. Digo assim: diferente. Digo assim: dentro de um mesmo evento. Ele: o
Balada Literária, que vai de 19 a 22 de outubro. Quase uma centena de artistas reunidos em lançamentos, bate-papos, performances, exposição e shows. Que tal? A
Livraria da Vila topou de cara. Ela que já faz parte da paisagem do bairro mais agitado de São Paulo. “Vamos nessa”, disse Samuel Seibel, da
Vila. “Nós também topamos”, disseram Marcos e Pedro Benuthe, donos do bar
Mercearia São Pedro, reduto boêmio e artístico há quase 40 anos. Saúde! Mobilizamos idem a
Praça Roosevelt. Porque a idéia é exatamente esta: estender a farra a outros cantos. Entre os convidados estão Sérgio Sant´Anna, Cadão Volpato, Joca Reiners Terron, Chico César, Mário Bortolotto, José Miguel Wisnik, Ademir Assunção, Ivana Arruda Leite, Fabiana Cozza, Xico Sá, Santiago Nazarian, Flávio Moreira da Costa e até gente vinda de fora, como os poetas argentinos Cristian De Nápoli e Juana Bignozzi. Sem contar o colombiano Efraim Medina Reyes, que virá depois da balada, no que chamamos de
Ressaca Literária. Porque a coisa não pára por aqui. Isso é só o começo de um projeto que promete acontecer todo ano. Projeto, vale dizer, que não seria possível sem a força animadora dos amigos da Livraria da Vila, da Mercearia, do
Ó do Borogodó, da Praça Roosevelt, das editoras que nos apoiaram, além da
Agô Produções e da parceria, na curadoria e em tudo o mais, de Eleonora Vaqui e Maria Alzira Brum Lemos. Sem esquecer dos artistas que aceitaram participar desta
Balada Literária. Ela que homenageia, neste seu “número zero”, o poeta
Glauco Mattoso. Um brinde a ele e a nós todos. Agora, esperamos por você. Confira, a seguir, a programação. E vamos que vamos e aquelabração.
Marcelino FreireEscritor e idealizador
da Balada Literária
Programação
Dia 19 de outubro, quinta-feira:BALADA DE ABERTURA, às 20h00, na
Mercearia São Pedro, com o
lançamento do livro Sonho Interrompido por Guilhotina, de
Joca Reiners Terron [ele, autor, entre outros, do livro de contos
Curva de Rio Sujo, editora Planeta. Este novo livro sai pela Casa da Palavra, do Rio de Janeiro].
Dia 20 de outubro, sexta-feira:MESA NÚMERO 1, às 10 horas, na
Livraria da Vila.
Ivan Marques [idealizador do programa Entrelinhas, da TV Cultura] recebe e brinda a
Glauco Mattoso [poeta, ficcionista e ensaista paulistano homenageado da Balada Literária]. Participações de
Antonio Vicente [Professor da USP],
Edvaldo Santana [cantor e compositor] e
Mário Bortolotto [escritor, ator, diretor e dramaturgo], entre outros.
MESA NÚMERO 2, às 14h30, na
Livraria da Vila.
Ronaldo Bressane [jornalista e escritor, autor do livro de contos
Dez Presídios de Bolso – Editora Altana] recebe
Botika [carioca que estreou em 2005 com a novela
Uma Autobiografia de Lucas Frizo, pela Azougue Editorial],
Cadão Volpato [vocalista e fundador da banda Fellini, lançou no ano passado seu primeiro disco solo, é autor do livro
Questionário – Editora Iluminuras) e
Lourenço Mutarelli [premiado autor de quadrinhos, estreou na literatura em 2002 com a novela
Cheiro do Ralo, publicado pela Devir e adaptado para o cinema por Heitor Dhalia]
MESA NÚMERO 3, às 17h00, na
Livraria da Vila.
Xico Sá [cronista da Folha de S. Paulo e autor do livro
Catecismo de Devoções, Intimidades & Pornografias – Editora do Bispo] recebe
Nelson de Oliveira [autor, entre outros, dos contos de
Algum Lugar em Parte Alguma – Record, e do romance
O Oitavo Dia da Semana – Travessa dos Editores],
Santiago Nazarian [autor de quatro prestigiados romances, sendo o mais recente o
Mastigando Humanos – o primeiro dele pela editora Nova Fronteira] e
Sérgio Sant’Anna [um dos mais importantes escritores brasileiros, autor de livros como
O Vôo da Madrugada, Companhia das Letras ].
LANÇAMENTO, às 20h00, na
Mercearia São Pedro, da
antologia de contos Quartas Histórias [organizada por Rinaldo de Fernandes - Editora Garamond], em homenagem a Guimarães Rosa. E mais: exibição do programa literário
SÁideira [uma produção de Marcelino Freire e Tereré Cinema, com apresentação de Xico Sá e entrevistas com André Sant’Anna, Junio Barreto, Reinaldo Moraes, Sérgio Sant’Anna e Mário Bortolotto].
BALADA, às 23h00, no bar
Ó do Borogodó, com roda de samba com
Fabiana Cozza [uma das mais elogiadas intérpretes da nova geração, gravou em 2004 o CD
O Samba É Meu Dom, pelo qual foi indicada ao Prêmio Tim nas categorias Revelação e Melhor Cantora de Samba]
e convidados.
Dia 21 de outubro, sábado:MESA NÚMERO 4, às 10h00, na
Livraria da Vila.
Ivana Arruda Leite [autora do livro de contos
Ao Homem que Não Me Quis – esse, um dos finalistas do Prêmio Jabuti 2006 – Editora Agir, e organizadora da antologia
Fomos Nós que Mexemos no seu Queijo – a ser lançada pela Bertrand Brasil] recebe
Flávio Moreira da Costa [autor de livros como
Malvadeza Durão e Outros Contos – Editora Agir, e organizador de diversas antologias, como a
Crime Feito em Casa – Editora Record] ,
Luiz Roberto Guedes [poeta e prosador, lançou recentemente a novela
O Mamaluco Voador – Travessa dos Editores, e organizou
Paixão por São Paulo – Uma Antologia Poética Paulistana – Editora Terceiro Nome] e
Rinaldo de Fernandes [autor, entre outros, do livro de contos
O Perfume de Roberta – Garamond, e também organizador de várias antologias, como a
Contos Cruéis, pela Geração Editorial]. Participação especial de
Antonio Carlos Viana [natural de Aracaju, SE, é mestre em teoria literária pela PUC-RS e doutor em literatura comparada pela Universidade de Nice, França. Dedica-se ao conto desde a década de 1970. Escreveu
Aberto Está o Inferno - Companhia das Letras, e outros livros].
MESA NÚMERO 5, às 14h30, na
Livraria da Vila.
Ademir Assunção [poeta e prosador, autor dos poemas de
Zona Branca- Editora Altana, e do romance
Adorável Criatura Frankenstein – Ateliê Editorial] recebe
Ana Rüsche [escritora paulista, autora do livro de poemas
Rasgada. Participa do Projeto Identidade que organiza a FLAP!],
Nicolas Behr [mato-grossense, é um dos mais cultuados poetas de Brasília, onde reside desde 1974. Autor de livros independentes como o
Iorgurte com Farinha e o
Braxília] e
Paulo Scott [poeta e prosador gaúcho, autor dos poemas de
Senhor Escuridão – Bertrand Brasil, e do romance
Voláteis - Objetiva]. Participação especial de
Douglas Diegues [poeta e prosador carioca, radical em Campo Grande (MS), escreve em “portunhol selvagem”. É autor de
Dá Gusto Andar Desnudo por Estas Selvas – Travessa dos Editores].
MESA NÚMERO 6, às 17h00, na
Livraria da Vila.
Joca Reiners Terron [o autor do lançamento de abertura da Balada Literária] recebe
Cristian De Nápoli [poeta argentino, editor do Black&Vermelho, selo que publica poetas da América Latina e de outras partes do mundo, e um dos colaboradores do projeto artístico-editorial Eloisa Cartonera],
Juana Bignozzi [uma das mais importantes poetas argentinas, vencedora do Premio Konex. Escreveu
Mujer de Cierto Orden,
Regreso a la Patria,
Partida de las Grandes Líneas e
Quién Hubiera Sido Pintada] e
Marcelo Barbão [escritor, tradutor e editor da Amauta Editorial, primeira editora brasileira especialista em literatura ibero-americana].
BALADA, a partir das 20h00, na
Praça Roosevelt, com performances e leituras e o
lançamento da coleção Bactéria [Alaúde e eraOdito editOra], que inclui uma antologia de 18 contistas da Praça Roosevelt e os livros de
Adrienne Myrtes [
A Mulher e o Cavalo],
Gabriela Kimura [
Dona Estultícia] e
Mário Bortolotto [
Mamãe não Voltou do Supermercado]. E mais: o
lançamento da Revista de Autofagia [Editora Na Marra, de Belo Horizonte], com as participações de
Amarildo Anzolin,
Bruno Brum,
Makely Ka,
Marcelo Sahea e
Nicolas Behr. E o
lançamento do livro de crônicas É Tudo Mentira, de Carlos Fialho, e o de poesias “Escolha o Título”, de Daniel Minchoni [ambos do grupo
Jovens Escribas, de Natal], além do terceiro número do jornal literário carioca
Bagatelas! Participam ainda do evento os escritores
Ademir Assunção,
Botika,
Claudinei Vieira,
Daniel Galera,
Douglas Diegues,
Paulo Scott, entre outros.
Dia 22 de outubro, domingo:MESA NÚMERO 7, às 11h00, na
Livraria da Vila.
Claudiney Ferreira [jornalista, radialista e produtor cultural, criador do programa de livros
Certas Palavras, que ficou 18 anos no ar. Atualmente é coordenador de literatura do Itaú Cultural] recebe
Chico César [cantor, compositor e poeta. Publicou, no ano passado, seu primeiro livro de poesias, o
Cantáteis – Cantos Elegíacos de Amozade – Editora Garamond. Entre os discos, destacam-se
Aos Vivos, de 1995, e o mais recente
De uns Tempos pra Cá] e
José Miguel Wisnik [cantor, compositor e professor de literatura brasileira na USP. Entre seus ensaios publicados está
O Som e o Sentido – Companhia das Letras, e, entre os discos gravados, o
Pérolas aos Poucos – Gravadora Maianga]
ESPECIAL:na
Livraria da Vila, durante a Balada Literária, acontece a exposição de
Eder Chiodetto, com fotos do seu livro
O Lugar do Escritor, publicado pela Cosac Naify e um dos vencedores do Prêmio Jabuti 2004.
E a Balada Literária não pára por aqui.
No dia
31 de outubro, às 19h00, na
Livraria da Vila, acontece a
RESSACA LITERÁRIA, com a presença do escritor colombiano
Efraim Medina Reyes. Um dos mais famosos e polêmicos escritores latino-americanos, ele virá para fazer o lançamento nacional do seu romance
Era uma Vez o Amor mas Tive que Matá-lo – Editora Planeta, e do livro de poesias
Pistoleiros/Putas e Dementes – Garamond. Na ocasião, participará de um bate-papo com o público mediado por
Maria Alzira Brum Lemos e
Marcelino Freire.
ENTRADA FRANCA para toda a programação, exceto a roda de samba com a cantora Fabiana Cozza, que inclui couvert artístico da casa. VAGAS LIMITADAS. Inscrições, acesse
www.livrariadavila.com.br.
Confira os posts mais recentes desse blog para ver se houve alguma alteração na programação.
BALADA LITERÁRIA
Idealização: Marcelino Freire
Realização: Agô Produções e Livraria da Vila
Co-Realização: Mercearia São Pedro
Parceria: Bar Ó do Borogodó, Eder Chiodetto e Sebo do Bactéria
Apoio: Planeta, Garamond, Editora Record, Nova Fronteira, Casa da Palavra, Amauta Editorial, Editora Alaúde e eraOdito editOra
Produção e Curadoria: Marcelino Freire, Maria Alzira Brum Lemos e Eleonora Vaqui
Logotipo da Balada: Teo Adorno
Foto de Glauco Mattoso: Eder Chiodetto
Um brinde a Glauco Mattoso
[foto de Eder Chiodetto] GLAUCO MATTOSO é o autor homenageado da Balada Literária. Poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias. Pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva (paulistano de 1951), o nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995), além de aludir a Gregório de Matos, de quem é herdeiro na sátira política e na crítica de costumes.
Após cursar biblioteconomia (na Escola de Sociologia e Política de São Paulo) e letras vernáculas (na USP), ainda nos anos 70 participou, entre os chamados "poetas marginais", da resistência cultural à ditadura militar, época em que, residindo temporariamente no Rio, editou o fanzine poético-panfletário JORNAL DOBRABIL (trocadilho com o JORNAL DO BRASIL e com o formato dobrável do folheto satírico) e começou a colaborar em diversos órgãos da imprensa alternativa, como LAMPIÃO (tablóide gay) e PASQUIM (tablóide humorístico), além de periódicos literários como o SUPLEMENTO DA TRIBUNA e as revistas ESCRITA, INÉDITOS e FICÇÃO.
Durante a década de 80 e o início dos 90 continuou militando no periodismo contracultural, desde a HQ (gibis CHICLETE COM BANANA, TRALHA, MIL PERIGOS) até a música (revistas SOMTRÊS, TOP ROCK), além de colaborar na grande imprensa (crítica literária no JORNAL DA TARDE, ensaios na STATUS e na AROUND), e publicou vários volumes de poesia e prosa.
Na década de 90, com a perda da visão, abandonou a criação de cunho gráfico (poesia concreta, quadrinhos) para dedicar-se à letra de música e à produção fonográfica, associado ao selo independente Rotten Records.
Com o advento da internet e da computação sonora, voltou, na virada do século, a produzir poesia escrita e textos virtuais, seja em livros, seja em seu sítio pessoal ou em diversas revistas eletrônicas (A ARTE DA PALAVRA, BLOCOS ON LINE, FRAUDE, VELOTROL) e impressas (CAROS AMIGOS, OUTRACOISA). Jamais deixou, entretanto, de explorar temas polêmicos, transgressivos ou politicamente incorretos (violência, repugnância, humilhação, discriminação) que lhe alimentam a reputação de "poeta maldito" e lhe inscrevem o nome na linhagem dos autores fesceninos e submundanos, como Bocage, Aretino, Apollinaire ou Genet.
Em colaboração com o professor Jorge Schwartz (da USP) traduziu a obra inaugural de Jorge Luis Borges, trabalho que lhes valeu um prêmio Jabuti em 1999. Nesse terreno bilíngüe GM tem-se dedicado a outros autores latino-americanos, como Salvador Novo e Severo Sarduy, e tem sido traduzido por colegas argentinos, mexicanos e chilenos.
Segundo Pedro Ulysses Campos, "A poesia de Glauco Mattoso pode ser dividida, cronologica e formalmente, em duas fases distintas: a primeira seria chamada de FASE VISUAL, enquanto o poeta praticava um experimentalismo paródico de diversas tendências contemporâneas, desde o modernismo até o underground, passando, principalmente, pelo concretismo, o que privilegiava o aspecto gráfico do poema; a segunda fase seria chamada de FASE CEGA, quando o autor, já privado da visão, abandona os processos artesanais, tais como o concretismo dactilográfico, e passa a compor sonetos e glosas, onde o rigor da métrica, da rima e do ritmo funciona como alicerce mnemônico para uma releitura dos velhos temas mattosianos (a fealdade, a sujidade, a maldade, o vício, o trauma, o estigma), reaproveitando técnicas barrocas e concretistas (paronomásia, aliteração, eufonia e cacofonia dos ecos verbais) de mistura com o calão e o coloquialismo que sempre caracterizaram o estilo híbrido do autor. A fase visual vai da década de 70 até o final dos anos 80; a fase cega abre-se em 1999, com a publicação dos primeiros livros de sonetos."
Para saber mais sobre o autor, inclusive sobre os livros que publicou, acesse:
glaucomattoso.sites.uol.com.br.